sábado, 31 de janeiro de 2026

Uma Efêmera Faísca

 Às vezes, uma canção ainda me acha. Não a procuro; ela me atinge, como se aguardasse o instante certo. Ao ouvi-la, retorno a uma época em que eu me julgava sem energia, quando tudo parecia difícil demais para suportar com alegria. Contudo, estranhamente, era ali que algo se agitava em mim.

Essa mesma melodia, hoje tão longínqua, me impulsionava para algo além, não porque eu soubesse o destino, mas porque, por instantes, eu sentia que podia seguir. Havia uma alegria singular, pura, sem aditivos: um estado raro em que o corpo parecia mais leve que as ideias, e a vida, mesmo difícil, ainda abria brechas. Eu me sentia motivado, quase solto, como se houvesse um futuro viável só por sentir.

Hoje, ao recordar esse som, noto que escrevi aquele texto preso a uma emoção que talvez não seja mais minha. A ânsia de ser livre não sumiu totalmente, mas perdeu a pressa, a força. Ela vive agora como lembrança: algo que reconheço mais do que vivo. A vida ainda me perturba, ainda incomoda, ainda pede razões que não sei explicar. Mas existe uma mudança cruel: antes, o incômodo me levava; agora, ele só persiste.

Talvez a vida tenha ganhado, sim. Não de modo bruto, mas pelo cansaço, pela rotina muda dos dias, pela conversa eterna com a realidade. Ainda assim, quando essa canção soa, mesmo que rápido, algo antigo revive. E talvez isso seja o que sobrou da liberdade: não a vontade de escapar, mas a certeza de que um dia eu quis desejar mais.


sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Familiar Weight

 I am a shell, a quiet storyteller.
When I fall silent, I feel half here,
like someone passing through their own life.

My spirit doesn’t scream,
it leaks slowly,
in tears that learned how not to fall.

They say they miss me.
I believe them.
Still, distance feels like a softer way to breathe.

I went too deep into reality,
thinking I could understand it.
It answered by pressing back,
until I mistook pressure for purpose.

Now time watches me closely.
I count it without meaning to.
My memories don’t visit 
they settle in,
they sit beside me
and refuse to leave.

They hold me still,
not with fear,
but with familiarity.

I am the one who laughs at the wrong moment,
who turns sadness into small jokes,
as if humor could translate
what I don’t know how to say.

I look for a place where I can rest
without explaining myself.
I avoid bright places
that ask too many questions.

I don’t want to disappear.
I just want the noise to lower,
the thoughts to loosen their grip,
and the world
to touch me
with less weight.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

O Estalo no Gelo

Durante muito tempo, a morte foi para mim uma ideia guardada em uma gaveta esquecida. Eu sabia que ela estava lá, mas raramente me permitia tocá-la. Era um conceito quase abstrato, um tema para conversas filosóficas ao cair da tarde, mas desprovido de peso real. Eu desfrutava do privilégio de tratar o fim como uma abstração, um cenário pálido projetado em um futuro que nunca parecia chegar. Minha vida estava intacta, e a minha paz era o subproduto dessa ignorância.


Mas a vida, com sua ironia silenciosa, começou a recolher as peças do meu tabuleiro.


Primeiro, partiram os que já estavam mais próximos da minha existência; depois, alguns animais que eram o coração da casa; e, enfim, aqueles que caminhavam ao meu lado, com o mesmo vigor e a mesma idade. De repente, a morte deixou de ser uma tese para se tornar presença. Ela não chegou com buzinas ou alarde, mas se instalou no silêncio ensurdecedor de um quarto vazio, no número de telefone que a memória insiste em discar, na ração que sobra, intacta, no pote ao canto da cozinha. Foi nesse deserto que compreendi a maior das crueldades: o que nos dilacera não é o ato de morrer, mas o de permanecer. É o desconcerto de ter que continuar habitando um mundo que segue girando, jantando e rindo, enfim, existindo...


O luto não é um evento com data de validade; é uma vizinhança desconhecida onde passamos a morar sem aviso prévio. O corpo aprende um novo peso, uma gravidade feita de alerta e vigilância. Às vezes, o peito aperta e o ar escasseia não por uma ameaça concreta, mas pelo trauma de saber que o "pior" agora tem rosto e endereço. Passamos a caminhar sobre um lago congelado: mesmo quando o gelo parece espesso, nossos passos são curtos e tensos, sempre à espera do próximo estalo sob os pés.


Nossa maior vulnerabilidade não reside na certeza da finitude, mas na imprecisão do tempo que nos resta. Habitamos um estranho limbo existencial, suspensos no intervalo cego entre saber que o golpe virá e desconhecer o segundo exato em que ele nos alcançará. Vivemos sob a sombra de um evento certo com data incerta, equilibrando em corda bamba invisível. 


Seguimos assim, carregando essa vigilância na poço da mente e tentando ignorar que o destino, embora silencioso sobre o "quando", já foi implacável sobre o "sim". No fim, nos resta a tarefa árdua de encontrar beleza em cada respiração, enquanto aprendemos que a ausência não é um vácuo, é uma parte nova, densa e definitiva da nossa própria existência.

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Entre o Abismo e a Insistência.

 Com o passar do tempo, algo curioso acontece: ele deixa de ser apenas uma medida e passa a ser um peso invisível que carregamos conosco. O tempo não anda em linha reta; ele se dobra, retorna, infiltra-se nos lugares e nos gestos mais banais do cotidiano. Um corredor, uma esquina, uma sala qualquer deixam de ser apenas espaços físicos e passam a ser depósitos de versões nossas que já não existem por completo, mas que também nunca desapareceram de fato.


Há momentos em que atravesso esses lugares como quem visita ruínas ainda habitadas. Sei que ajudei a erguer algo ali, mesmo que tenha sido apenas uma conversa, uma tentativa, uma presença silenciosa. Fico me perguntando quanto de mim ficou impregnado nessas paredes e, mais inquietante ainda, quanto de mim continua ali, resistindo ao desgaste do tempo. Talvez os espaços tenham memória, sim, mas não uma memória organizada, mas um eco. Se as paredes pudessem lembrar, talvez não lembrassem do que eu disse ou fiz, mas da forma como eu estive: inteiro, ausente, cansado, esperançoso.


O dia a dia, com sua aparência trivial, carrega uma importância que só se revela tarde demais. Cada gesto aparentemente irrelevante é, na verdade, um ponto fixo no espaço tempo, um pequeno nó onde tristeza, melancolia e sentido se encontram. A angústia raramente surge de grandes tragédias; ela nasce, quase sempre, da repetição silenciosa dos dias, do acúmulo de perguntas que não encontram repouso. É nesse ritmo lento que a melancolia se instala, não como desespero absoluto, mas como uma névoa constante que muda a forma como tudo é visto.


Eu flerto consntantemente com dois extremos: de um lado, a sensação de que existe um abismo definitivo, sem retorno; do outro, a insistente esperança de que algo ainda pode ser reparado. Essa oscilação não é fraqueza, é o próprio movimento de estar vivo. A esperança não elimina o abismo; ela apenas ilumina suas bordas por alguns instantes. E, ainda assim, isso basta para seguir.


Por vezes, sinto-me fútil, pequeno demais para sustentar o peso das próprias expectativas. Em outras, reconheço que fiz o melhor que podia com as ferramentas que tinha naquele momento. Essa ambivalência é uma das marcas mais honestas da experiência humana: somos, ao mesmo tempo, insuficientes e excessivos. Falhamos não por falta de vontade, mas por limites que só se revelam depois.


Essas reflexões quase sempre me alcançam no fim do dia, quando tudo se cala e resta apenas a companhia de mim mesmo. É nesse silêncio que percebo um apego estranho à própria mente: esse lugar indefinido, sem contornos claros, que não sabemos se nos protege ou nos aprisiona. A mente é cárcere e abrigo. Ela nos mantém vivos, mas também nos impede de escapar completamente de nós.


Cinco, dez, quinze, vinte anos ou mais se passaram e aqui estou, suportando. Não como um ato heroico, mas como um gesto contínuo e silencioso. Meus medos, minhas perguntas sem resposta, meus erros acumulados: tudo isso foi se transformando em narrativa. Já não são apenas falhas ou dores isoladas: tornaram-se algo que fala por mim, mesmo quando fico em silêncio.


Talvez seja isso que reste no fim: não a certeza, não a redenção, mas a capacidade de transformar o peso do tempo em história. E enquanto houver história, ainda há um sentido possível, mesmo que ele nunca se revele por completo.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

A Coragem de Sentir o Medo.

 

Me permiti viver algo que só consigo viver através do sono, dormir e sonhar com algo que possa atravessar a minha casca de medo. Experimentei sentir aquilo que eu duvidei que pudera sentir, aquilo que eu já estava descrente que aconteceria. Uma dúvida, um medo, uma desesperança.

No meio do processo descobri que meu coração não é feito de lata ou luto, é apenas algo machucado, mas já cicatrizado. Descobri que é possível me sentir vivo fora dos sonhos.

Mas como tudo na vida...foi um sentimento e vivencias findas. Durou alguns dias para que eu pudesse colocar a minha consciência contra a parede. O medo, a doença, os traumas...tudo isso ainda é forte demais para que duas pessoas se sintam à vontade mesmo tendo afinidades.

Descobri que compatibilidade não é tudo. Descobri que ter uma segunda chance pode não significar nada. Às vezes tudo é apenas o momento: você precisa ser estar num equilíbrio. Você pode conseguir visitar várias estrelas, mas se você não estiver apto para ver a beleza disso, você não vai ver. É como saber nadar no oceano, mas não conseguir tocar a água.

Com o passar do tempo algumas cicatrizes tendem a firmar. Elas ficam ali, as marcas são visíveis, inesquecíveis, mas você aprende a conviver com elas, de tal modo que o único incomodo foi não ter conseguido superar antes, mas tudo bem...

Várias pessoas vão passar pela sua vida, algumas não dignas de sua convivência, de seu amor e tempo, mas você vai gastar sua pouca gota de tempo nelas. Enquanto isso...pessoas boas e raras vão cruzar seu caminho sem que você perceba, e se perceber, você já vai ter queimado todas as suas chances. É, a vida não é justa, e as vezes nós também não somos.

Um dia...em algum momento do futuro, sentado em algum canto sem luz, você vai lembrar das vezes em que esteve perto da felicidade, mas que seu medo te jogou pra fora daquilo. Mas...tudo bem, não era hora.

É triste o pensamento sobre como tudo tem um fim. Nós só queremos o fim da dor, mas o que mais nós fazemos é por fim em coisas boas, coisas essas que estavam apenas no começo. Nós não temos medo de acabar com isso, mas temos medo de não começar.

O medo é um mecanismo de defesa, é algo que tenta nos repelir de algo ruim que pode acontecer, mas tem um efeito colateral: ele pode expulsar oportunidades boas...e as vezes até únicas.

Seja como for...não há controle. Não há um passo adiante. Não somos e nem podemos ser de ferro. Não podemos evitar o incomodo de ter medo de machucar as pessoas: as vezes isso é se importar.

A felicidade e a tristeza parecem estar bem próximas uma da outra. É como uma moeda de duas faces...

Muitas vezes vamos derreter todas as chances por querermos recuar.

É triste. Mas é necessário aceitar a fraqueza, a tristeza e tudo que vem com elas. A felicidade é sim uma coisa rara, talvez a maioria de nós temos consciência disso, o que não significa que vamos conseguir dar o devido valor a isso.

Nada é seguro. Toda escolha tem uma porra de um risco... O único jeito de saber sobre a dor, é não ter medo de poder senti-la, as vezes vale a pena correr risco, mesmo que no final das contas seu coração fique com um buraco.

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

Impostor?

Sempre fui ansioso, um pouco deprimido e com dificuldade de aceitar coisas boas na minha vida.Com o passar do tempo isso fui variando entre os diversos sentimentos. Mas teve alguma época da minha vida que eu realmente acreditei que estava no caminho certo e eu era merecedor de tudo de bom que estava acontecendo comigo, mesmo que por alguns momentos eu ficasse triste, mas era algo esporádico, nada muito forte.De repente...eu comecei a invalidar meus sentimentos e encarar a tristeza como algo normal. E nesse tempo ela já estava um pouco fora de controle. Eu ficava triste com mais frequência do que o normal. Nessa época eu estava num relacionamento, e eu me doava muito mais para ela do que para mim mesmo, eu simplesmente esquecia da minha vida e fazia somente coisas para ela.Meu esforço era praticamente todo para ela. Mas com certeza algo estava errado.Foi então que depois de três anos ela terminou o namoro. Então eu tive aquela misto de sentimento, um alivio, mas como uma sensação de estar sendo rejeitado. Alivio porque sinceramente eu não aguentava mais aquele relacionamento cheio de problemas, e rejeição porque logo depois do termino, em questão de poucos dias ela praticamente já estava morando com outro cara, então eu comecei a me questionar e me senti um inútil, pois eu fazia tudo para ela e mesmo assim não foi o bastante?

 Comecei a jogar a culpa toda em mim. De fato,senti que eu tinha perdido muito tempo sendo dela e esquecendo quase que totalmente da minha própria vida e isso por que? Será que eu fazia aquilo tudo porque eu realmente gostava dela ou por que aquilo massageava meu ego? Explico:A sensação que eu tinha de quando ela estava feliz por eu agradar ela me fazia sentir algo bom, algo que realmente vinha do meu ego, mas não sentia aquilo como se fosse algo natural. E sim, só fui questionar isso de fato após o término. Mas não, eu não me isolei, nem algo do tipo, eu fui curtir a minha vida. Foram anos intensos de curtição, o que não significava que estava tudo bem, eu apenas conseguia me distrair, sair com meu irmão e alguns amigos. Nesse tempo eu cheguei a conhecer outras meninas, mas nada sério...era só coisa por "diversão". Depois que passou essa fase de curtição, eu comecei a ficar mal. Minha ansiedade estava descontrolada.

 Então eu procurei um psicólogo.E...resumindo: hoje posso dizer que minha ansiedade está controlada com terapia e medicação, porém...Eu ainda estou com problemas de aceitar que posso conseguir algumas coisas na vida. Eu tenho enormes dificuldades de aceitar que alguém pode gostar de mim, que alguém pode gostar do meu trabalho, que alguém pode gostar do som que eu faço. Eu não sou daquelas pessoas que rejeitam elogios, eu até aceito numa boa. Mas depois de um tempo eu começo a achar que aquilo não me pertence, que as coisas boas que fiz não podem ser valorizadas. É como se eu ficasse com meudo do meu ego inflar pelos elogios e de repente eu me trancasse e arrancasse aquilo de mim, fazendo com que eu comece a detestar o que estou fazendo. Eu tenho medo de me tornar um arrogante e esquecer de quem eu realmente sou. Isso me atrapalha em relacionamentos e profissionalmente. Se uma garota boa, bonita e inteligente tem algum interesse em mim, por hora eu acho bom, mas alguns dias depois minha mente entra em parafuso e começo a me perguntar se eu realmente mereço aquilo tudo. Mas daí minha mente fica toda bagunçada, pois eu pergunto a mim mesmo “e se fosse uma mulher que julgo estarem algum nível inferior daquela moça interessante que nutre algo bom por mim,eu aceitaria? ”. A resposta é: não. Então é muito mais uma questão interna do que externa.  

A minha mente não aceita coisas boas...e quando o faz, isso não dura o bastante e logo vira uma coisa ruim. Mas eu também não gosto dessa sensação ruim, eu não fico nutrindo ela. Acho que faço isso por medo de fracassar, medo de tentar, medo de ser rejeitado. Mas por que medo de ser rejeitado? Então...isso eu desconheço,ainda não cheguei numa conclusão satisfatória sobre isso. Sim, eu já falei sobre isso com o psicólogo, algumas coisas eu consigo entender, já outras...Meio que eu não gosto da aprovação das outras pessoas, mas meio que eu necessito daquilo, entende? E meu ego vai em extremos em questão de poucos dias. Não consigo aceitar que posso ser bom em algo e que posso despertar o interesse de alguém, seja essa pessoa sendo fantástica ou não, masse ela for uma pessoa foda...bom, aí...é pior ainda!Acontece que todo esse problema faz com que eu me desencane rápido de tudo, tanto de alguns sentimentos bons até algumas oportunidades. 

Às vezes eu escuto as músicas que eu fiz e penso “eu realmente fiz isso”? Mas não que eu ache aquilo fantástico, nada disso, mas eu duvido que fui capaz de criar algo. Às vezes sinto que estou me protegendo tanto de decepções quanto de coisas boas que eu possa vir a ter. E vamos ser sinceros, nós precisamos de decepções. Mas para minha mente uma decepção é uma tragédia e quando sinto algo bom é uma tragédia também, porque sei que vou entrar em parafuso e isso vai deixar minha mente inquieta. E não, eu não me acho uma pessoa ruim, na verdade eu me acho mediano e nem fico me comparando com outras pessoas, isso de fato não me incomoda. E eu também não me acho feio, eu me acho “ok”.Em contrapartida, por muitas vezes me sinto inútil por não ter feito isso e aquilo. Na verdade é tudo meio incoerente dentro de mim mesmo. A coisa prática que eu deveria fazer é tocar o foda-se e simplesmente tentar e aceitar fracassar. 

Mas o engraçado é que tenho medo de conseguir e não ser capaz de manter tal feito na minha vida. O medo de conseguir é maior do que de fracassar. Isso é bizarro. Se isso me deixa triste e ansioso? Não. Me deixa mais é puto. Eu sei que isso não é normal e que isso me afasta de muitas oportunidades. Mas é algo que não consigo controlar.

 

sexta-feira, 19 de junho de 2020

Auto estima.

Essa coisa de auto-estima baixa é totalmente péssima.
Nunca pensei que atingiria a esse nível que estou hoje. Mesmo com o tratamento ainda não me sinto muito confiante e tenho pensamentos ruins sobre mim mesmo.
Antes era uma coisa controlável, não era quase o tempo todo que eu tinha.

Eu sigo acreditando que tudo é descartável, que um dia eu vou morrer...e mesmo que eu deixe alguma "obra" isso vai se perder ao tempo. Sério. Com isso eu não me importo mais. O que me importo agora é como se sentir útil estando vivo.

Como é ouvir minhas músicas sem achar defeito. Como é se olhar no espelho sem nenhum julgamento podre. Como é ler meus textos sem sentir vergonha.

Eu sei que algumas coisas são distorcidas e que eu me cobro muito e que metade dessas cobranças não fazem sentido algum. Mas há uma diferença entre saber e sentir. E no sentir eu me perco.

É impossível não lembrar do meu passado sem me sentir ridículo. Ok, o passado é irrelevante, quem não foi ridículo uma vez na vida? Haha...
O ponto é que eu trago isso pro presente, fazendo essa merda arrastar meus pensamentos.
As vezes pode ser só uma questão de ajuste...

Eu ainda consigo compartilhar meu som para algumas pessoas em alguma rede social. Eu apenas ultimamente não consigo é mostrar como eu sou, como é meu rosto, o que há por trás de tudo. Não consigo me expor de um jeito que isso me ajude.

Eu ainda acho que não é o limite...Mas pelo o que me conheço, ele está perto de chegar.

terça-feira, 9 de junho de 2020

Ansiedade

Um mês mais ou menos depois do último post desse blog eu tive uma crise nervosa, uma ansiedade.
Na verdade eu sempre tive crises de ansiedade, mas eu só fui descobrir isso de fato durante o processo de tratamento. E aqui estou.

Mas voltando ao mês de outubro... Eu tinha uma viagem marcada, iria ver um show e de quebra visitar uns amigos meus da capital - Belo Horizonte.
Quando faltava umas duas semanas para a viagem começaram as crises. Na verdade uma delas foi leve, mas eu tive de ir embora do trabalho. A segunda crise foi dois dias depois da primeira, e ai começa...

Nessa segunda crise eu fui para o hospital. Na consulta o médico me passou um remédio para eu acalmar, pois bem, tomei.
No dia seguinte, sábado, eu estava melhor, porém algo me incomodava. Foi então que começou a incomodar a ponto de me deixar triste e fazer eu chorar  - coisa que raramente faço, pelo menos em lágrimas, pois acho que cada música que faço é um choro.
Eu estava preocupado se ia conseguir viajar ou não...pois era uma coisa que eu queria muito.
Então coloquei na cabeça que iria ao médico de novo, pois eu comecei a me sentir mal no domingo.
Ai chegou a segunda, fui a outro hospital, expliquei pro médico como eu estava me sentindo, ele perguntou se eu queria um anti depressivo. Como eu estava desesperado, eu aceitei.
Fui tomando como prescrito, mas aquela coisa ruim no peito não passava, e o dia da viagem se aproximava. Ai fui descobrir que o anti depressivo demorava um certo tempo para fazer efeito, ai que fiquei mais preocupado.

Contrariando minha saúde mental e toda confusão, eu resolvi viajar mesmo assim. Mas obviamente eu não estava bem, mas fui tentando trabalhar minha mente para que eu conseguisse ao menos ficar estável, mas não rolou...

Assim que eu cheguei na rodoviária eu já comecei a me sentir mal, mas tive que disfarçar...
Eu fiquei na casa de um amigo... e lembro que no dia da chegada, eu cheguei a quase desmaiar. Eu não tinha dormido na viagem (que é longa, por sinal), não tinha comido direito e estava com toda aquela merda de ansiedade. Mas fui segurando...
Chegou então o show...e eu estava "bem", ainda mais comparando com o jeito que eu cheguei. Consegui rir todo show, foi bom... e chegou mais a noite e eu capotei.

Mas não teve jeito de segurar por muito mais tempo...num almoço de domingo veio a crise mais forte e eu tive - com muito pesar- que avisar que eu não estava bem e expliquei pros meus amigos o que eu estava passando. Mas eu fiquei bastante incomodado com aquilo! Eu me sentia exposto, fraco, um lixo completo. Passar mal longe de casa...sabe, não é uma coisa legal.

Então nesse dia mesmo, a noite, eu iria embora. E a viagem foi tranquila, mas mais uma vez não consegui dormir. E quando cheguei aqui...simplesmente apaguei.

No começo da semana mesmo ja fui procurar outro médico, dessa vez numa clinica particular. E lá estava eu, de novo, explicando tudo o que aconteceu. Mas aparentemente essa consulta tinha sido mais esclarecedora. Mas o médico disse pra eu continuar tomando o anti depressivo que outro clinico tinha me receitado, e assim eu o fiz. Só que dessa vez apenas para checar mesmo, ele me pediu um check-up. Prontamente eu aceitei e naquela semana mesmo eu já comecei a correr atrás dos exames. Fiz todo que ele pediu o mais rápido possivel. E advinhem, eu não tinha nada, era "apenas" ansiedade mesmo. O médico então me recomendou ir a um psiquiatra e psicologo.
Fui a psquiatra, ela trocou todos meus remedios, o que foi bom. E me afastou quinze dias. E esses dias foram importantes pra mim. Não foi apenas isso que ela fez, ela conversou comigo, tentou me entender, sabe, essas coisas de psiquiatra.

Levou um tempo, mas os remédios surtiram efeito...e eu fui melhorando. E nesse meio tempo eu já estava fazendo tratamento também com o psicologo, coisa que continuo fazendo.

Eu obtive alguma melhora. Consegui entender o que me faz mal. E mais: consegui entender que sempre tive ansiedade, desde muito novo, só não entendia na época.

Foi então que há dois dias...eu simplesmente surtei. Eu não me senti ansioso, nem deprimido, nem triste, nada disso. Eu senti minha auto estima muito baixa, a ponto de eu sentir vergonha de existir. É uma coisa dificil de explicar, mas quem já sentiu, claro, sabe como é.

Eu sempre tive problemas com auto estima, sempre. Claro, com o tratamento eu fui aprendendo a lidar com isso, na verdade ainda estou aprendendo. Mas dessa vez foi algo forte, algo que realmente mexeu com meu emocional, e de fato eu me senti um lixão.
De repente comecei a detestar as músicas que faço, as coisas que faço no trabalho, as coisas que ainda não encaixei na minha vida. Isso tudo durou umas duas horas e eu estava no trabalho. Eu consegui conter, menos mal. Mas isso me levou a sérias questões, nas quais ainda estão me deixando com a pulga atrás da orelha. E eu não estou totalmente bem.

Acaba que o que importa é o agora. E sério, se você pode, de alguma forma...procurar ajuda, faça-o. Invista na sua saúde. Acredite nesse papo de que saúde mental é importante. E que as vezes você "só" está desajustado e sem rumo, é perfeitamente normal. Cuidar de si mesmo é o melhor investimento e algo produtivo que você pode fazer a si mesmo.

Eu ainda estou no processo de tentar entender várias coisas, vários acontecimentos, sentimentos.
Infelizmente a maldita ansiedade não deixou que eu curtisse 100% a minha viagem, isso é frustrante. Mas o mais importante: eu fui procurar ajuda.

Eu ainda estou num trabalho que não me deixa evoluir, eu ainda não estou trabalhando em algo que eu gosto. Eu ainda não sei lidar direito com auto estima. Mas com certeza eu estaria pior se não tivesse ido atrás. Obvio que eu ainda tenho muito o que fazer, mas tudo no seu tempo.


domingo, 8 de setembro de 2019

Por alguns meses eu tenho preferido transformar a inquietação em alguma música. Eu começo a desenvolver alguma coisa escrita e essa se perde entre notas musicais. Inspiração quase nunca falta. 
Mas chegou o dia em que eu resolvo gastar pele nesse teclado. Talvez eu nem consiga expressar o que de fato se passa na minha cabeça, talvez não seja interessante. Mas acho que agora isso não é importante.

É inegável a sensação e a quase certeza que apenas estando morto para escapar da vida. Parece óbvio, mas o ponto é que...não, você pode fazer "n" coisas, nada vai te amparar na medida certa...a não ser que você enfie uma bala de ilusão inesgotável na cabeça.

Eu já vinha tocando nesse ponto antes de tentar deixar de ser um niilista estúpido. É, eu quis dar um tempo disso tudo, ligar o automático e deixar rolar. Até parece que ia funcionar. Portanto, eu não devo me tornar um cara que fica jogando a culpa simplesmente na merda que é existir.  Eu não devo me tornar um cara em procurar "soluções fáceis" para fugir da realidade. Na verdade eu finco meus pés...eu fico a porra dos meus pés onde eu sei que não devo procurar atalhos para sair da confusão que é estar vivo. 

A confusão na minha mente sempre me acompanhou, desde meus onze anos de idade. A medida que fui crescendo, fui percebendo que o buraco era mais embaixo. E a medida que se fica mais velho...bom, você cria uma casca, mas a cabeça continua cansada...
A conformidade tem um limite. O mesmo vale em se achar um inútil. Provavelmente pra alguém você não é um zero a esquerda, mas é que sempre falta alguma coisa... e talvez essa coisa que falte já se perdeu em algum tempo onde você apenas lamentava, ou então ela está por vir, ou nem exista: e é ai o ponto. 
Trabalhar com o fato de que algumas coisas que eu buscava não existe, é perceber o quanto de tempo eu perdi com ilusões, superficialidades. 

Para os dias parecerem menos desgastantes, eu criei um "método" que serviu por um bom tempo. Contar o tempo...de duas em duas horas, até chegar num ponto onde eu possa buscar um pequeno sossego, que é deitar na minha cama e olhar para o teto: um silêncio que eu não tenho na rua, no local de trabalho...
Mas as vezes a cabeça é tão estranha, que simplesmente do nada eu "apago", e sinto uma paz inexplicável, coisa de poucos minutos, e é só nesse momento que eu sinto alguma honestidade dentro de mim...é como se o tempo não importasse. É como se tudo fosse embora. É meu nível mais alto de sobriedade. Infelizmente isso acontece só umas duas ou três vezes ao ano. O resto do sossego eu preciso buscar, filtrando tudo aquilo que me chateia, tudo aquilo que eu odeio, como todo mundo.

Eu costumo dizer que isso é um bug da minha mente. Algo dentro de mim se desliga, posso até estar num momento bem ruim da minha vida, essa coisa supera toda ruindade. Eu consigo buscar algo parecido com isso em alguns sonhos, mas nem lá é tão forte assim, nem no melhor sonho do mundo. 

É algo perdido nas trevas da minha mente. Sei lá, um dia não vou obter mais isso...mas tudo bem, eu não conto muito com isso.
A foto que vou deixar junto com essa publicação é um exemplo de como as coisas caminham dentro de mim e como eu exponho isso pra fora. 

E não, não quero morrer, é tudo sobre cansaço e sobre como é imaginar que tudo vai piorar...Na "praticidade" de existir, o que eu posso continuar fazendo, é tirar proveito de todo momento de sossego que eu tenho, mesmo que pouco...nunca vai sair disso. Não tem como pular certas fases da vida. E eu sei, coisas ruins precisam acontecer, ELAS PRECISAM ACONTECER...




sábado, 26 de janeiro de 2019

Desperdiçando Meus Dias.

Eu tenho desperdiçado meus anos
Tentando afundar algumas paredes com meus pensamentos.
Eu estou sentado numa cadeira estragada
Na minha frente existe um relógio, ele sempre está atrasado.
Eu tenho desperdiçado minha vida 
Pensando numa maneira de sair daqui
Acontece que isso não tem funcionado.
O lugar mais seguro dentro desse quadrado é o banheiro. 
Eu posso simplesmente ficar lá por alguns minutos me olhando no espelho...esperando ter coragem pra quebrá-lo
Eu tenho perdido tempo em reclamar do tempo
Eu olho para o céu e não consigo mensurar quanto tempo tem tudo isso. Mas consigo imaginar minha vida em poucas décadas
E o que foi que eu fiz? O que foi que eu fiz?
O que foi o que eu senti? 
Será que tudo ficará menos pesado se eu tiver fome?
Será que tudo isso se tornará secundário? 
Eu não sei.
Eu tenho desperdiçado suor, dedicação, alguma "coragem", tudo em nome de nada. 
E o que foi que eu fiz durante esses poucos anos de minha existência? 
O fracasso não é um motivo para desistir. Mas é o suficiente para que eu desconfie de continuar nesse ciclo. 
Nesse momento estou sentado na cadeira estragada. 
O relógio aponta pra alguma hora que já foi marcada ontem.
Estou desperdiçando vida contando ponteiros e batendo números
Eu não sei mais o que fazer. 

Por que eu desisti de ter alguém.



Há um tempo, onde eu ainda me deixava alimentar por alguma pureza e inocência, eu lembro que eu deseja muito ter uma namorada. 
Eu me imaginava com ela de mãos dadas. Eu tinha em minha mente algo desprovido de tempestades. 
Alguns anos passaram e eu obtive o que eu desejei anos atrás. 
Eu sentia falta dela, eu queria estar com ela. Uma vez fiquei duas semanas sem vê-la e, quando finalmente... eu pude abraça-la novamente, foi a melhor coisa que eu pude sentir em anos. (passados e agora) 

Não nego que nessa época eu estava nas minhas melhores condições mentais. Eu estava totalmente propicio a da e receber amor. Eu tinha apenas dezessete anos. 
Enfim...acabou, como tudo acaba, obviamente. Poderia ter acabado melhor se não fosse minha imaturidade em lidar com o básico de uma relação saudável. 

Depois do fim desse relacionamento, eu fiquei um tempo sem alguém, eu sentia algo como um bloqueio...eu até conhecia alguma outras meninas, mas sem muito empenho. 
Até que consegui namorar de novo, sabe-se lá como. E mais uma vez eu só o fiz porque estava num momento bom, onde eu tive coragem de arriscar isso. 
Então assim eu o fiz... E essa porra de namoro foi conturbado do início ao fim. E nessa época eu já estava mais adulto. A minha paciência estava se esvaindo. Eu não soube lidar com praticamente nada. Eu não vou culpa-la totalmente por tudo que aconteceu, afinal, estamos falando de mim, o cara que mais erra. Mas o ponto não é esse! 

Esse contexto todo, sem entrar em muito detalhe, é importante. 

Já estou um tempo só. E minha "vontade" de relacionar com alguém, é pura e simplesmente pela minha natureza. Não existe outra motivação. Acontece que eu tenho um certo controle sobre isso. A minha cabeça simplesmente consegue barrar isso em mim. A cabeça de baixo precisa de alguém, eu não. Minha natureza quer procriar, mas eu...NEM FODENDO, MEU AMIGO.
A ideia de ter alguém me soa um absurdo. A ideia de ter uma família, de ter filhos....isso me causa arrepios e fode com meu estômago (que por sinal já é todo estourado). 
Eu sempre tive um pouco de medo dessas coisas, mas antigamente eu tinha um certa vontade de arriscar, a minha cabeça não me travava tanto, eu era mais novo, tinha menos experiência. 
Mas daí você pode se perguntar. Quanto mais vive, mais experiência você pode ter, e quem sabe errar menos. Sim, é isso. O problema é que eu também fui ficando mais duro, e mais INSEGURO. A auto estima é simplesmente nula. 

Não me acho feio, não me acho uma pessoa ruim, tão despreparada, nem nada do tipo. Por outro lado...nada é suficiente pra suprir algumas coisas. Eu não vou conseguir levar um relacionamento de forma saudável. 

Eu também tenho alguns problemas. Eu não consigo ser intenso. Eu tenho dificuldades para sentir saudade de pessoas, e na maior parte do tempo eu quero ficar sozinho. 
Então eu decido continuar no escuro, eu escolho sempre onde terá menos ônus (por que às vezes o bônus não é suficiente nem pra pôr na balança). Escolho a decisão onde essa irá pesar menos na minha cabeça. Vou continuar sem me esfregar em alguém, e sem nenhuma perspectiva de encontrar alguém legal (essa parte também é difícil).
Aquela sensação de transar por transar é pior do que aquela que quando você leva um pé na bunda de alguém que você estava prestes a gostar. 
A sensação de ceder pro lado macaco da coisa não é uma opção. Nunca será. Às vezes em que eu quebrei isso...bom, não foi legal. 

Sinto muito, meu pau, mas você não terá algo só por prazer momentâneo. E eu não vou ceder ao pouco racionalismo que eu possuo em busca de perder a pouca paz que já tenho. É melhor se abster de algumas coisas em prol da saúde. 

Agora o fato de eu imaginar minhas mãos dadas com alguém chega a ser doloroso. Não consigo sequer pintar essa imagem em meus pensamentos, quando eu o faço, já logo vem uma borracha e apaga tudo. 
É um pouco dramático como soa tudo isso, porém é assim que é...

domingo, 28 de maio de 2017

A verdade seja dita.

Sem muito esforço minha mente sucumbiu à vida. Sem muito esforço minha mente foi entregue de bandeja as dificuldades da vida.
As vezes sinto que racionalmente eu já estou morto, mas o lado físico, o instinto de sobrevivência me mantém acordado.

O lado bom de estar sozinho é não compartilhar desses pensamentos, dessas ideias já fomentadas há muito tempo em minha cabeça.
Você não precisa ficar se justificando ou fingindo estar apto para fazer tal tarefa. Sofrer sozinho nem sempre parece ruim.
De alguma forma ou outra é bom dizer para alguns amigos o quão desesperador a vida pode ser, mas seus amigos não irão te dar as asas deles. E isso é bom.

É necessário conforto, claro, mas não estou disposto em entrar em uma guerra contra aquilo que não precisa ser derrotado, eu apenas iria colocar um outro monstro no lugar.
E quantas vezes não me passei por ridículo por tentar provar pra mim mesmo que a ponta da faca não ia machucar meu soco, sempre machuca.
E é assim mesmo que tudo vai pra mesma porra de lugar.

E o problema não está ligado diretamente a falta de sentido da vida. O problema é pensar sobre tudo e não saber lidar com as coisas. Onde o peso é grande por si mesmo, ou eu peso mais...ou pego leve com aquilo que deveria ser visto com mais atenção. Viver não é fácil, os ônus sempre serão maiores. 
De dez chances, você irá perder, sei  lá, umas quinze, e dentro dessas chances alguma vez você vai acreditar ser possível, e naquele momento está criando uma ilusão de que irá ficar tudo bem, mas não vai.

E veja, nem estou falando de tristeza. Ser triste e miserável é da condição humana. Mas a gente precisar escolher. Ou entregamos fácil nossa luta, ou então – mesmo sabendo das merdas – lutemos para que tudo fique menos ruim o possível.

Parece-me obvio que poderia ser melhor eu estar em algum lugar, com alguém ou não, divertindo-me com alguma coisa, distraindo dos pensamentos massivos da minha cabeça. Mas eu escolho escrever sobre o que eu sinto, vejo e penso...e quando eu escrevo é como se eu vomitasse. A vida é um estomago com fome, porém podre.

É dia de folga, o tempo está claro lá fora. E eu estou sozinho em casa. Uma casa grande só pra mim, uma casa onde eu poderia andar tranquilamente. Mas minha maldita mente diz para eu sentar aqui e formar frases sem sentido.
Quando você toma consciência de como tudo é – e não necessariamente precisa contrair uma doença rara, um câncer, perder um membro e etc, simplesmente tudo faz sentido. O monstro fica claro, mas é uma caminho sem volta, pois ele jamais irá embora.

É difícil assumir esse risco, são poucas as pessoas que de fato entram nessa espécie de honestidade para consigo mesmo e para com o mundo/vida. Vejo que muita gente não está disposta a perder a sanidade. Mas sanidade pra mim é isso, é ver o quão estranho é existir. Pra mim pessoas que não sentem vontade de esmurrar paredes, monitores, cara de pessoas não são normais.  Isso tudo se trata sobre raiva, sobre estar preso num corpo, num lugar e/ou em algo que você não queria estar.

Por mais que eu diga, eu não consegui assumir a condição na qual eu estou envolvido. Uma vez que eu consiga aceitar tudo isso, acho que consigo algumas ferramentas para ir levando tudo de forma menos danosa. Não preciso gastar dardos em alvos errados, posso deixa-los guardados...ou, quem sabe, acertar no meio da cara de alguém que não seja eu mesmo.
Meus pensamentos são violência, não necessariamente violentos. Violento é se sentir impotente.

-“Mas, Wolfy, então o que fazer?”. Definitivamente, eu não faço a mínima ideia. Mas talvez seja naquela linha de tentar carregar as coisas até onde você puder...e tudo que vier é meio que um lucro, porque que sempre vai piorar. Mas, assim...eu aconselho a ninguém dar ouvidos a uma pessoa que já se entregou, então, essa parte escrita ai em cima, provavelmente está errado, muito errado.


Agora, o lado bom de tudo...é não ter que pesar a vida de ninguém por conta das minhas merdas. Então por que as vezes eu quero alguém pra carregar junto comigo o cimento? Não seria contraditório, hipócrita? Sim, seria. Na verdade...é. A sorte é que minha paciência para encontrar agulha no palheiro é, proporcionalmente, igual a minha vontade de levantar.

Existir é um problema sem solução.
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"I think the suicide rate is so high among writers because we force ourselves to stand still, take an outsider’s perspective, and realise how quickly a life passes by, and how futile we are. The exhilarating upside is that at a moment’s glance all your worries fade away, and you can work on making the most of it.”
Kevin Focke

quarta-feira, 5 de abril de 2017

O dia em que eu fui levado.

Fale para ela que eu não escolhi viver, estar vivo é uma condição aparentemente única e sem saída.
Infelizmente com a companhia dela era difícil para mim enxergar o que sempre esteve pregado em meus olhos. Talvez por estar muito perto, eu não pude ler.
Meus olhos pregavam naquele relógio do seu quarto e eu de forma inocente queria que os ponteiros pausassem. Mas que efeito isso causaria? Nenhum. E mesmo que causasse, era bobagem, uma perda de tempo desejar que o tempo congele, ainda mais que no futuro eu vim a descobrir quer estar junto dela era apenas bobagem.

Meu amigo, você é o único elo entre mim e ela. É difícil te colocar nessa estranha tarefa, mesmo que esta não parece tão árdua.
As vezes, você, meu único amigo parece ser algo invisível, onde agora eu deposito minhas pobres esperanças. É que eu estou num processo de beijar o muro da realidade.

Quando eu estava junto dela, eu me abdiquei de quase tudo que trazia conforto ao meu dia a dia.
Eu joguei quase tudo fora. O pouco que me restou me ajudou no processo de tirar a cegueira.
Talvez você não se sinta confortável em ler isto. Pode ser que me mande a merda. Está no seu direito. Até acho que merece um soco, quem sabe até perder um dente.
Estou continuando a escrever esse texto jamais enviado e mostrado a ninguém. Estou voltando a escrever depois de alguns meses.

Lembro-me de ter pego no sono e ter sonhado uma coisa aleatória, mas esse sonho me trouxe algumas reflexões banais, mas que me fizeram a chegar a simples conclusão de não ser tão duro comigo mesmo.
Sabe o tempo que passei me odiando por ter supostamente sido burro por desperdiçar tempo com ela, então, esse tempo foi maior que a própria ilusão criada através de irrelevantes sentimentos.
Esse tempo todo eu criei dentro da minha cabeça um jeito de esquece-la...ou de então lembrar das vezes em que eu me sentia culpado por estar bem. Sim, me sentindo culpado por estar bem.
Eu supervalorizei e subestimei tudo ao mesmo tempo.

Meu amigo, você não está mais aqui, ela também não.
Não vou pedir tempo algum de volta, o que foi vivido está apenas salvo como uma memória, deve ser tratado tal como.

Eu acho que estou bem. Creio que agora percebo que não foi perda de tempo. Foi vivido, do jeito que deu, é claro. E nessa história toda não fui somente eu que estive ausente de tudo.
Eu me culpei depois, também, para talvez encontrar uma solução. Isso foi totalmente ineficiente, uma vez que não foi somente eu o cara que "sumiu".

Não vou dizer mais nada a ninguém dessas coisas que se perderam entre as ondas do tempo.
Aqui, de onde estou, parece alto. Não sei se é o suficiente para me causar tonturas ao olhar para baixo, deixa-me ver...
Pronto, foi o tempo de eu tentar voar, foi rápido, nem senti direito o vento tocar meu rosto.

Que bobagem!! Todo mundo sabe que estou apenas deitado escrevendo sobre uma coisa que nunca existiu, eu nunca estive vivo.
Se isso aqui virar uma carta, invente um destino, a envie, se alguém tiver o azar de ler, saiba que quem escreveu não é uma pessoa de verdade, é apenas uma ideia.

Aqui não existe mãos, pensamentos, sentido. É tudo vazio, um grande e delicioso vazio.

quinta-feira, 30 de março de 2017

Trint.

Fiquei fitando minha própria cara no reflexo da tela do celular, tentando encontrar algo no meu rosto que identificasse meus 30 anos: Não encontrei.
É estranho se sentir velho, mesmo não sendo velho.
Eu me questiono se eu pensaria assim se eu estivesse casado, com família, com emprego decente. E Não faço a mínima ideia.

Ninguém pega mais no meu pé do que a minha própria consciência.

Eu volto doze anos atrás, onde eu era dominado por uma imaturidade incrível, onde eu trocaria fácil aquela época por cinco anos atrás, onde eu tinha
Meus treze e saudáveis anos, onde eu tinha meus sonhos. Sim, eu deixei de sonhar muito cedo. Mas não é disso que se trata esse texto.
A cada sorriso tímido que eu dei naquelas fotos antigas, é um fragmento que entrega totalmente minha pessoa.

Os trinta anos não estão estampados no meu rosto, corpo, jeito de andar. Nem eu mesmo me reconheço com tal idade, nem eu mesmo...
Quando faço uma reflexão, também não consigo encontrar onde essa idade está em mim. Eu não me sinto com idade nenhuma, mas sinto que já estou um pouco velho.
As vezes é só numero, tempo, forma de contar.
Experiência de vida não tenho quase nenhuma. Também não possuo historia de superação, um grande aprendizado, uma grande loucura.
Só consigo ver um cara perdido, triste, que não consegue relaxar. Um cara que está preso numa grande nebulosa criadora de paranoias.

Assim como todos os habitantes dessa rocha, estou procurando meu espaço. Do meu jeito torto, mas estou.
As vezes não entendo a mim mesmo, imagina entender o que se passa lá fora.

Por vezes sinto que há outro alguém em mim, dizendo para eu me preocupar menos. Pode ser que esse outro seja feito de matéria vinda de outros tempos... Aqueles tempos dito sagrados, mas que não pertence a espaço físico nenhum, somente nas minhas nobres cinzas.

Até então eu não recebi visitas de aliens, talvez eu seja apenas só um ser humano. Mas o que eu estou falando, nem em vida extra terrestre eu acredito. Deve ser minha outra parte gritando de dentro pra fora.
Ter trinta anos significa três décadas, olhando assim...não parece tanto.

Do zero ao dez eu fui apenas um feto, dos dez aos vinte eu fui um imaturo e criador de auto caos. Dos vinte ao trinta, eu fui um desperdício de tempo, vida.
A tendência é que dos trinta aos quarenta eu me torne um escravo da própria mente. A diferença é que estou fazendo essa reflexão agora, se ela servir...eu não me tornarei um mendigo.

Eu tenho quase certeza que a vida vai continuar sendo esse pão com margarina, nada eu posso fazer contra isso. Mas eu posso tentar mudar o cardápio matinal. 

Eu espero que daqui pra frente eu tenha mais chances de morrer, só assim para ver gostos diferentes da escravidão que é estar vivo.

Parabéns para mim, menos um ano de vida. 

terça-feira, 21 de março de 2017

From The Past of Now Quasi Stellar Radio Source

Com um trecho da letra da banda britânica Porcupine Tree, eu começo meu longo e dramático texto. 

“A spaceship from another star
They ask me where all the people are
What can i tell them”
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Sempre esperei que alguma luz viesse de algum lugar e me levasse embora. Eu sempre esperei que esse dia chegasse. Eu fitava o céu em busca de algum ponto que viesse até mim e me sequestrasse. Eu não tinha medo algum, meu medo era de ficar aqui...nesse planeta azul.
Uma ilusão idiota, um sonho podre de uma padaria. Mas era um desejo que corria nas minhas veias, talvez porque eu sentisse que não fosse daqui. Outra besteira.

Qualquer vaga-lume que passasse perto de mim fazia que meus olhos saltassem pra fora, meu estomago gelava, parecia um iceberg. Minhas penas tremiam, minha boca secava, isso tudo em questão de segundos.
Era um desespero de ir embora... E o que ia embora era a ilusão. Uma decepção ia como uma espada afiada em meu coração.

Se eu voltasse agora no tempo, eu falaria pra mim mesmo não se preocupar, que aquela decepção não significava nada. Mas ao encontrar comigo mesmo, algo estranho iria acontecer, eu, pequeno, não iria querer avançar no tempo. Eu perceberia que meu futuro não seria tão agradável.
Mas já aconteceu isso, o tempo não parou, foi eu que estacionei na vaga da conformidade. Da luta que nunca será ganha, a luta contra a vida. Não pelo menos estando vido, respirando e segurando uma ponta de esperança acesa, mais conhecida como cigarro.

O que aquele garoto pensava...que o planeta terra se limitava naquela pequena cidade, naquele pequeno mundo que o cercava, ou se tratava de alguma negligencia?
Se ele já se sentia atraído por uma ideia que o levasse para outras estrelas mesmo não conhecendo uma pequena fração do fracasso que o mundo é, como ele se sentiria conhecendo um pouco mais? Eia a resposta: o presente.
Ele continua não conhecendo muito, mas o pouco do que ele acha que conhece já é o suficiente para não querer lutar.
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O Mesmo Por do Sol.

Quando um desejo se torna obsessão, e o lado prático de viver se torna a pior coisa a ser feita, sequer pensada. Como um relógio sem pilha, parado por anos, com teias de aranha o prendendo.

Ele me disse que aprendeu a contar o tempo olhando para um por do sol. Naquele dia ele entendeu perfeitamente como tudo era passageiro, que lutar contra o vento era besteira.
Aquela imagem do sol se pondo ficou como uma pintura em sua mente, ele consegue lembrar de todos os sentimentos que ele teve numa tarde normal, de algum ano longínquo.
Era quase uma pintura do futuro, só que era belo, não tão desesperador e sem graça. Era a transição do inverno para a primavera, não fazia frio, não fazia calor. O chão estava um pouco gelado como de costume, e existia uma pequena brisa que batia em seu rosto, fazendo com que seu cabelo se movesse em direção aos seus olhos, mas nada que atrapalhasse aquela visão.

Já estava quase na hora de parar de brincar... Ele me contou que no exato momento em que ele quis parar de olhar para aquela imagem, alguns pensamentos foram injetadas em sua mente, causando uma confusão, até criou uma ilusão de que o sol conversara com ele. Com algum propósito maior...bem, era nisso que ele acreditava. Um menino franzino, com um pouco de arrogância, se achava o escolhido para ouvir a estrela. 
Esses pensamentos permeiam sua mente até os dias de hoje... Com o tempo, seu ceticismo foi tomando o espaço de toda aquelas crenças, mas não foi possível tirar a beleza da pintura, daquele quadro eterno fixado em sua mente.

Era uma pureza sólida, com raízes, não era uma doença.

Se ele consegue sentir aquilo de novo? Não. Momentos são únicos. Mas pelo o que ele me conta...em seus muitos sonhos de noites estranhas volta e meia o aquele sentimento retorna, com aquele mesmo ar puro. Uma coisa que só acontece estando adormecido, infelizmente.
Dormir virou uma ferramenta não de descanso, mas sim um auxilio sentimental. Tirar o peso de seus ombros e pulmões. Alimentando alguma veia já tão cansada, levando energia pra sua mente tão condenada por pensamentos estranhos e conformistas.

O passado poderia ser como nossa segunda vida, assim nós poderíamos tirar a vida disso. Talvez mesmo com o vazio que ficasse, valeria a pena. Olhar somente para o agora e esperar algo do futuro.
Mas não, o passado se comporta como uma droga letal em nossas cabeças. Quanto mais longe fica, mais arrependimento vem. Antes as escolhas que não tinham peso, agora parecem duas carretas, cada uma de um lado, arrebentando nossos ombros.
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É difícil expressar sentimentos confusos numa tela branca, num papel, expelir isso tudo para fora. Se eu tivesse a certeza que vomitar todos meus demônios de uma vez me trouxesse paz, eu vomitaria por horas. Mas não é tão fácil assim, talvez ver a morte de perto sirva pra algo, quem sabe por alguns meses. É, muita gente tira sentido da vida daí, já eu...eu me recuso.

A vida é uma caixa de sapatos com um buraco negro dentro. É um guarda roupa vazio. O resto você que se vire. As vezes o vazio vai te incomodar, as vezes não. Mas eu cheguei a um dia acreditar que o vazio deveria ser preenchido de todas as formas possíveis, que todas as lacunas teriam respostas, sendo agradáveis ou não. Só que eu percebi que não se trata de preencher, e nem de fazer as perguntas certas, se trata de distração. Se trata de como ter auto controle sobre si mesmo, sobre o esse cérebro que é martelado a cada segundo, boicotando o próprio corpo. Como se ele fosse uma força sobrenatural, não somente guiada pelo mundo externo, mas algo que vem de dentro, algo que não passou bem pela filtragem do “tanto faz”.
Talvez eu não precise vomitar todas as minhas angustias, ou talvez eu não precise me render a vida. Eu simplesmente posso deixar tudo para trás, viver uma nova vida, mesmo que seja tarde. E não me venham com essa de “nunca é tarde”. Sim, é tarde. É assim que funciona na vida real...e as exceções por ai a fora não são regras.

Acabou tudo. Nenhuma nave irá pousar, nenhum bolso vai se encher sozinho. Nenhuma luz vai aparecer, eu preciso por o meu dedão no interruptor. Luz no fim do túnel só serve para gente bem fodida, embora eu acredita que todos nós estamos, desde o primeiro instante em que pisamos aqui, mas...
Nenhuma festa, nenhuma boa grana, nenhum grande sonho conquistado vai boicotar a grandeza do monstro vida. Não que viver seja de todo mal e que morrer é a solução, não é simples assim.

Vai chegar um dia em que o reflexo no espelho não vai condizer com o que está do outro lado, talvez aquele reflexo saia dali, se torne seu amigo, não irá te julgar, apenas dirá que você tentou e que toda culpa nada mais era que um exagero, um fracasso.

Pode ser que alguns dias dos penosos trezentos e sessenta e cinco dias do ano...pode ser...que você acorde bem.

A ilusão antes descartada, agora é um presente. É até um atalho. Porque é difícil só se contentar com a verdade. Viver um pouco de mentira perto desse turbilhão de merda pode ser até vital. Pena que a mente já está cansada demais para abrir espaço para tal.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Houve.

Houve uma época onde ele era encorajado pelo questionamento. Foi uma era onde ele apontava o dedo para alguma estrela e se sentia bem ao perguntar sobre a distancia para tal.
Era sua dose diária de paz. Ele estava encantado por tudo aquilo, queria descobrir mais e mais. Leu vários livros sobre astronomia, lia muito artigo na internet, até um telescópio ele comprou. Foi uma emoção fora do comum quando conseguiu ver alguma planeta naquele equipamento magnifico. Caralho, dava pra ver nos olhos dele que ele estava feliz, naquele momento, é claro, mas ele estava bem...

Não, isso que estou contando não vai terminar em algum "mas", é inútil, porque sempre acaba com isso. Parece que sempre chega um ponto onde tudo foge de suas mãos. E essa não é sobre historia de uma cara que se interessou por astronomia e ali viu uma oportunidade de fazer algo. É sobre como um singularidade pode ser vital, é sobre se sentir bem, mesmo que sua cabeça esteja a ponto de explodir.

A coragem que ele tivera naquela época o fez abrir o coração novamente. Ele se sentiu capaz de tentar arriscar, digo que o fez bem.

Era estranho o ver mais despreocupado, se sentindo útil e menos lixo. Estranho eu digo no bom sentido, ok?

Ele realmente só precisava do tal empurrão. Eu tenho certeza que muita gente queria quis lhe acertar uma voadora nas costas, inclusive eu, seu melhor amigo.

Lembro dele me contar que não era pra deixa-lo estragar tudo. Em uma de nossas ultimas conversas ele me disse o quão bem estava, mas deixava claro que teria consciência que seria por um tempo curto.

Passou algum tempo... Eu nunca mais o vi apontar o dedo para alguma estrela. Seu coração esta cinza e só têm batido forte por crises de ansiedade . Sua cabeça está em chamas.

Eu não sei de seu paradeiro. Está perdido. Sinto sua falta, amigo. Não por nossa amizade, mas tenho saudades de quando você estava bem.

Quem te conheceu naquela época, certamente hoje estranha. Mas quem te conhece a mais tempo, sabe que isso é ate normal, mas até para mim que sei que isso não é anormal, sinto falta de te ver sereno.

As vezes foi tudo uma grande ilusão. Não vou falar para você tentar se reerguer e viver como naquele raro momento, pois foi tudo único. Mas alguma parte de você morreu? Alguma parte responsável por fazer você ter coragem de encarar um dia.

Não precisa me ouvir, ou fingir que isso tudo vai ajudar, mas lembre-se daquilo que você me disse.
"Aquela estrela não sabe da minha existência, mas meus olhos brilham tanto quanto ela. Um dia estarei ai em cima, enquanto isso não acontece, sigo tentado meu melhor"

Sei que isso tudo pode ser baboseira, e é... Espero que você consiga ao menos acordar  ir tomar um café sem antes querer se matar. Não, a vida continua uma merda, mas tomar café livre de pensamentos estranhos é um alivio único.

Vejo você em algum dia frio, onde estarás pisando com um pé mais leve que uma folha?

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Nosergico

De um adolescente frágil para um adulto confuso. Os trinta chegaram, e a única coisa que eu precisava ter eu não tenho.

Lembro-me de ser bem jovem e cheio de energia. Embora eu tenha sido sempre nostálgico, eu não era um suicida em potencial. Desde muito novo eu sempre quis saber o porque das coisas e por isso deixei de prestar atenção ao fato de estar vivo.

Mas eu vou busco na minha memória e lembro que eu sempre estava desanimado. Eu lembro de pegar minha bicicleta e andar a toa, procurando o que fazer, procurando algum espaço que eu pudesse chamar de meu. Aquele tempo nublado, a brisa gelada na minha cara e as perguntas não paravam de martelar em minha cabeça frágil.

Parece que tudo aquilo foi inútil, parece que dezessete anos passaram em vinte e quatro horas.
Foi tudo tão depressa...

Já fui de me arrepender mais...mas os erros próximos a minha fase adulta apagaram todas as outras consequências que eu tomara quando mais novo. Ficou tudo pequeno, barato e de fácil compreensão, independente da falta de maturidade...
O fato é que as escolhas vão se tornando mais pesadas a medidas que você se aproxima da reta final. Essa mania de medir a morte por anos...

Quando criança eu me sentia morto, às vezes. E meio que eu entrava em parafuso, porque eu queria estar vivo, mas nada me agradava tanto. Poucas me faziam sentir conforto. A diferença é que por ter a cabeça mais leve eu não ligava tanto assim, mal eu sabia o quanto ia ficar pesado depois.

Eu já tinha umas visões meio pessimistas sobre o futuro. Lembro do meu primeiro dia na quinta série, choveu muito. Eu não conhecia quase ninguém, muita gente da minha sala tinha vindo de outra escola. Ai eu pensei que teria de conhece-los. Enquanto uma chuva pesada caia, eu olhava pro rumo da janela e enxerguei uma moça e pensei: "será que ela sabe que eu existo"?
Consigo sentir a mesma sensação, aquela ansiedade projetada por algo novo. E não essa ansiedade de hoje, que mais parece um trem sem freio, querendo passar por cima de tudo, me jogando pra fora e me colocando pra dentro no mesmo instante.
Naquela tarde eu já estava vendo muita coisa sobre o futuro, era sobre adaptação. E como eu sempre tive preguiça e cansaço mental disso.

A timidez era uma defesa que eu tinha...na verdade sempre tive medo do que iam achar de mim. Eu preocupava se iam me achar interessante, bonito, importante. No futuro eu demonstrei ser fraco, embora com o passar do tempo eu tenha sido mais visto, mas acho que esperaram demais de mim.
Daquela época em diante eu nunca mais fui o mesmo. Ainda com onze anos e eu já sentia como se tivesse perdido dentro de um buraco negro.

Não sinto tanta falta mais como antes, acho que eu me matei aos poucos. Fiquei conformado demais. Olhava muito pra fora, não via por dentro. Ajudava alguns próximos a mim e quanto a mim...? Bom, eu tive medo do que fazer comigo mesmo. Parece que meu maior adversário sou eu mesmo.
Todos os medos, frustrações eram projetadas em pessoas. Eu meio que criava meus próprios monstros, mas como eles não tinham corpos, eles eram projetados em outros. Ai eu tentava encarar, mas sem sucesso.

Eu criei histórias onde eu podia me aventurar e dar graça a vida. Era uma fuga que eu precisava. Eu precisava ser caçados por fantasmas, seres de outros planetas, pessoas supostamente malignas. Eu acreditei tanto nisso...

Ai um dia eu percebi que devia escrever sobre tudo que eu vivia, acreditava. Que eu devia fazer músicas sobre todos os acontecimentos que me cercava. Sabe, eu sempre quis me afastar um pouco do mundo real, mesmo enfiando na minha cabeça toneladas de lembranças sobre a realidade, seja em forma de som ou de escrita. Quando eu o faço parece que tudo fica menos pesado e sério, ai consigo entender que não é tão grave assim.

Hoje eu "luto" contra uma ansiedade avassaladora, que nunca me deixa relaxar de fato. Embora alguns já tenham me visto "bem". Minha mente ainda está em problemas.

Espero sobreviver mais um pouco ainda pra ter alguma história interessante pra contar a mim mesmo.