Quando eu era criança sempre me perguntava se eu teria algo
de importante a fazer...ficava horas na frente de minha casa contemplando o por
do sol...Imagens rodeavam a minha mente e eu tentava encontrar alguma espaço
por ali...
Eu poderia me considerar ainda puro e inocente, apesar de
que eu não era tão novo assim, mas ainda assim considerava-me uma criança.
Meus olhos brilhavam, minhas lágrimas eram tão sinceras, mas
o choro era por nada...
Toda dor que eu achava sentir era causada por dramas
desnecessários e nem sempre os motivos justificavam para tanto...o mundo “demente”
ainda estava longe de mim...
Agora parece que aquele menino morreu, não dentro de mim,
mas no passado mesmo. Considero importante
ter saudades. Às vezes é um sentimento
único, verdadeiro e simplesmente gratificante.
É inevitável não pensar como teria sido se eu tivesse
seguido minha intuição...não somente uma coisa do coração mas da mente
também...pois parece que tudo que segui foi contrário ao que sempre pensei em
querer ter. Eu fui um contraditório e muitas vezes hipócrita comigo mesmo.
Daqui alguns dias farei vinte e cinco anos e a sensação que
tenho é que cada vez mais o tempo voa, é um descontrole, e quase todos ao meu
redor dizem o que devo fazer, mas ninguém pergunta o que eu devo fazer.
Estive nas “trevas” por longos meses e quem não esteve? No
fundo acho que isso me fortaleceu no sentido de que, eu posso bater no peito e
bancar o que realmente sou e importa.
Os caminhos não podem ser tão limitados
assim e a loucura não é tão satisfatória quanto eu pensava. Eu quis chutar o
pau da barraca e assim eu o fiz, porém não deu muito certo, eu fiquei preso no
que sobrou dela.
Não me importo se provavelmente aquele garoto sonhador
tenha morrido, isso não quer dizer que
eu não possa sonhar mais. A paz não é uma coisa tão distante, tão utópica
assim, a liberdade não pode ser tão difícil de ser alcançada... o coração não
está tão “violentado”, eu não deixei de crer em mim mesmo, acho que apenas fiz
uma pausa...
Por vezes ainda me pego olhando pro nada e pensando no que
devo fazer, pois viver ainda parece complicado, por mais que provem o
contrário, mas já que é fruto de escolhas...é justo estar como está, mas talvez
não seja justo que eu tenha sido tão duro comigo nos últimos meses.
Eu apenas não espero perder para dar valor, digo, isso é
simplesmente ridículo, pois parece que a gente quer perder...não é possível que
se aprenda só com erros, eu posso acertar e aprender do mesmo jeito, e daí?
Eu apenas estou procurando um lar, algum lugar onde eu me
sinta comigo mesmo, onde eu me sinta capaz de ir além, sem precisar justificar,
sem precisar de me boicotar e me sabotar...


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