quinta-feira, 30 de março de 2017

Trint.

Fiquei fitando minha própria cara no reflexo da tela do celular, tentando encontrar algo no meu rosto que identificasse meus 30 anos: Não encontrei.
É estranho se sentir velho, mesmo não sendo velho.
Eu me questiono se eu pensaria assim se eu estivesse casado, com família, com emprego decente. E Não faço a mínima ideia.

Ninguém pega mais no meu pé do que a minha própria consciência.

Eu volto doze anos atrás, onde eu era dominado por uma imaturidade incrível, onde eu trocaria fácil aquela época por cinco anos atrás, onde eu tinha
Meus treze e saudáveis anos, onde eu tinha meus sonhos. Sim, eu deixei de sonhar muito cedo. Mas não é disso que se trata esse texto.
A cada sorriso tímido que eu dei naquelas fotos antigas, é um fragmento que entrega totalmente minha pessoa.

Os trinta anos não estão estampados no meu rosto, corpo, jeito de andar. Nem eu mesmo me reconheço com tal idade, nem eu mesmo...
Quando faço uma reflexão, também não consigo encontrar onde essa idade está em mim. Eu não me sinto com idade nenhuma, mas sinto que já estou um pouco velho.
As vezes é só numero, tempo, forma de contar.
Experiência de vida não tenho quase nenhuma. Também não possuo historia de superação, um grande aprendizado, uma grande loucura.
Só consigo ver um cara perdido, triste, que não consegue relaxar. Um cara que está preso numa grande nebulosa criadora de paranoias.

Assim como todos os habitantes dessa rocha, estou procurando meu espaço. Do meu jeito torto, mas estou.
As vezes não entendo a mim mesmo, imagina entender o que se passa lá fora.

Por vezes sinto que há outro alguém em mim, dizendo para eu me preocupar menos. Pode ser que esse outro seja feito de matéria vinda de outros tempos... Aqueles tempos dito sagrados, mas que não pertence a espaço físico nenhum, somente nas minhas nobres cinzas.

Até então eu não recebi visitas de aliens, talvez eu seja apenas só um ser humano. Mas o que eu estou falando, nem em vida extra terrestre eu acredito. Deve ser minha outra parte gritando de dentro pra fora.
Ter trinta anos significa três décadas, olhando assim...não parece tanto.

Do zero ao dez eu fui apenas um feto, dos dez aos vinte eu fui um imaturo e criador de auto caos. Dos vinte ao trinta, eu fui um desperdício de tempo, vida.
A tendência é que dos trinta aos quarenta eu me torne um escravo da própria mente. A diferença é que estou fazendo essa reflexão agora, se ela servir...eu não me tornarei um mendigo.

Eu tenho quase certeza que a vida vai continuar sendo esse pão com margarina, nada eu posso fazer contra isso. Mas eu posso tentar mudar o cardápio matinal. 

Eu espero que daqui pra frente eu tenha mais chances de morrer, só assim para ver gostos diferentes da escravidão que é estar vivo.

Parabéns para mim, menos um ano de vida. 

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