terça-feira, 21 de março de 2017

From The Past of Now Quasi Stellar Radio Source

Com um trecho da letra da banda britânica Porcupine Tree, eu começo meu longo e dramático texto. 

“A spaceship from another star
They ask me where all the people are
What can i tell them”
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Sempre esperei que alguma luz viesse de algum lugar e me levasse embora. Eu sempre esperei que esse dia chegasse. Eu fitava o céu em busca de algum ponto que viesse até mim e me sequestrasse. Eu não tinha medo algum, meu medo era de ficar aqui...nesse planeta azul.
Uma ilusão idiota, um sonho podre de uma padaria. Mas era um desejo que corria nas minhas veias, talvez porque eu sentisse que não fosse daqui. Outra besteira.

Qualquer vaga-lume que passasse perto de mim fazia que meus olhos saltassem pra fora, meu estomago gelava, parecia um iceberg. Minhas penas tremiam, minha boca secava, isso tudo em questão de segundos.
Era um desespero de ir embora... E o que ia embora era a ilusão. Uma decepção ia como uma espada afiada em meu coração.

Se eu voltasse agora no tempo, eu falaria pra mim mesmo não se preocupar, que aquela decepção não significava nada. Mas ao encontrar comigo mesmo, algo estranho iria acontecer, eu, pequeno, não iria querer avançar no tempo. Eu perceberia que meu futuro não seria tão agradável.
Mas já aconteceu isso, o tempo não parou, foi eu que estacionei na vaga da conformidade. Da luta que nunca será ganha, a luta contra a vida. Não pelo menos estando vido, respirando e segurando uma ponta de esperança acesa, mais conhecida como cigarro.

O que aquele garoto pensava...que o planeta terra se limitava naquela pequena cidade, naquele pequeno mundo que o cercava, ou se tratava de alguma negligencia?
Se ele já se sentia atraído por uma ideia que o levasse para outras estrelas mesmo não conhecendo uma pequena fração do fracasso que o mundo é, como ele se sentiria conhecendo um pouco mais? Eia a resposta: o presente.
Ele continua não conhecendo muito, mas o pouco do que ele acha que conhece já é o suficiente para não querer lutar.
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O Mesmo Por do Sol.

Quando um desejo se torna obsessão, e o lado prático de viver se torna a pior coisa a ser feita, sequer pensada. Como um relógio sem pilha, parado por anos, com teias de aranha o prendendo.

Ele me disse que aprendeu a contar o tempo olhando para um por do sol. Naquele dia ele entendeu perfeitamente como tudo era passageiro, que lutar contra o vento era besteira.
Aquela imagem do sol se pondo ficou como uma pintura em sua mente, ele consegue lembrar de todos os sentimentos que ele teve numa tarde normal, de algum ano longínquo.
Era quase uma pintura do futuro, só que era belo, não tão desesperador e sem graça. Era a transição do inverno para a primavera, não fazia frio, não fazia calor. O chão estava um pouco gelado como de costume, e existia uma pequena brisa que batia em seu rosto, fazendo com que seu cabelo se movesse em direção aos seus olhos, mas nada que atrapalhasse aquela visão.

Já estava quase na hora de parar de brincar... Ele me contou que no exato momento em que ele quis parar de olhar para aquela imagem, alguns pensamentos foram injetadas em sua mente, causando uma confusão, até criou uma ilusão de que o sol conversara com ele. Com algum propósito maior...bem, era nisso que ele acreditava. Um menino franzino, com um pouco de arrogância, se achava o escolhido para ouvir a estrela. 
Esses pensamentos permeiam sua mente até os dias de hoje... Com o tempo, seu ceticismo foi tomando o espaço de toda aquelas crenças, mas não foi possível tirar a beleza da pintura, daquele quadro eterno fixado em sua mente.

Era uma pureza sólida, com raízes, não era uma doença.

Se ele consegue sentir aquilo de novo? Não. Momentos são únicos. Mas pelo o que ele me conta...em seus muitos sonhos de noites estranhas volta e meia o aquele sentimento retorna, com aquele mesmo ar puro. Uma coisa que só acontece estando adormecido, infelizmente.
Dormir virou uma ferramenta não de descanso, mas sim um auxilio sentimental. Tirar o peso de seus ombros e pulmões. Alimentando alguma veia já tão cansada, levando energia pra sua mente tão condenada por pensamentos estranhos e conformistas.

O passado poderia ser como nossa segunda vida, assim nós poderíamos tirar a vida disso. Talvez mesmo com o vazio que ficasse, valeria a pena. Olhar somente para o agora e esperar algo do futuro.
Mas não, o passado se comporta como uma droga letal em nossas cabeças. Quanto mais longe fica, mais arrependimento vem. Antes as escolhas que não tinham peso, agora parecem duas carretas, cada uma de um lado, arrebentando nossos ombros.
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É difícil expressar sentimentos confusos numa tela branca, num papel, expelir isso tudo para fora. Se eu tivesse a certeza que vomitar todos meus demônios de uma vez me trouxesse paz, eu vomitaria por horas. Mas não é tão fácil assim, talvez ver a morte de perto sirva pra algo, quem sabe por alguns meses. É, muita gente tira sentido da vida daí, já eu...eu me recuso.

A vida é uma caixa de sapatos com um buraco negro dentro. É um guarda roupa vazio. O resto você que se vire. As vezes o vazio vai te incomodar, as vezes não. Mas eu cheguei a um dia acreditar que o vazio deveria ser preenchido de todas as formas possíveis, que todas as lacunas teriam respostas, sendo agradáveis ou não. Só que eu percebi que não se trata de preencher, e nem de fazer as perguntas certas, se trata de distração. Se trata de como ter auto controle sobre si mesmo, sobre o esse cérebro que é martelado a cada segundo, boicotando o próprio corpo. Como se ele fosse uma força sobrenatural, não somente guiada pelo mundo externo, mas algo que vem de dentro, algo que não passou bem pela filtragem do “tanto faz”.
Talvez eu não precise vomitar todas as minhas angustias, ou talvez eu não precise me render a vida. Eu simplesmente posso deixar tudo para trás, viver uma nova vida, mesmo que seja tarde. E não me venham com essa de “nunca é tarde”. Sim, é tarde. É assim que funciona na vida real...e as exceções por ai a fora não são regras.

Acabou tudo. Nenhuma nave irá pousar, nenhum bolso vai se encher sozinho. Nenhuma luz vai aparecer, eu preciso por o meu dedão no interruptor. Luz no fim do túnel só serve para gente bem fodida, embora eu acredita que todos nós estamos, desde o primeiro instante em que pisamos aqui, mas...
Nenhuma festa, nenhuma boa grana, nenhum grande sonho conquistado vai boicotar a grandeza do monstro vida. Não que viver seja de todo mal e que morrer é a solução, não é simples assim.

Vai chegar um dia em que o reflexo no espelho não vai condizer com o que está do outro lado, talvez aquele reflexo saia dali, se torne seu amigo, não irá te julgar, apenas dirá que você tentou e que toda culpa nada mais era que um exagero, um fracasso.

Pode ser que alguns dias dos penosos trezentos e sessenta e cinco dias do ano...pode ser...que você acorde bem.

A ilusão antes descartada, agora é um presente. É até um atalho. Porque é difícil só se contentar com a verdade. Viver um pouco de mentira perto desse turbilhão de merda pode ser até vital. Pena que a mente já está cansada demais para abrir espaço para tal.

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