quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Houve.

Houve uma época onde ele era encorajado pelo questionamento. Foi uma era onde ele apontava o dedo para alguma estrela e se sentia bem ao perguntar sobre a distancia para tal.
Era sua dose diária de paz. Ele estava encantado por tudo aquilo, queria descobrir mais e mais. Leu vários livros sobre astronomia, lia muito artigo na internet, até um telescópio ele comprou. Foi uma emoção fora do comum quando conseguiu ver alguma planeta naquele equipamento magnifico. Caralho, dava pra ver nos olhos dele que ele estava feliz, naquele momento, é claro, mas ele estava bem...

Não, isso que estou contando não vai terminar em algum "mas", é inútil, porque sempre acaba com isso. Parece que sempre chega um ponto onde tudo foge de suas mãos. E essa não é sobre historia de uma cara que se interessou por astronomia e ali viu uma oportunidade de fazer algo. É sobre como um singularidade pode ser vital, é sobre se sentir bem, mesmo que sua cabeça esteja a ponto de explodir.

A coragem que ele tivera naquela época o fez abrir o coração novamente. Ele se sentiu capaz de tentar arriscar, digo que o fez bem.

Era estranho o ver mais despreocupado, se sentindo útil e menos lixo. Estranho eu digo no bom sentido, ok?

Ele realmente só precisava do tal empurrão. Eu tenho certeza que muita gente queria quis lhe acertar uma voadora nas costas, inclusive eu, seu melhor amigo.

Lembro dele me contar que não era pra deixa-lo estragar tudo. Em uma de nossas ultimas conversas ele me disse o quão bem estava, mas deixava claro que teria consciência que seria por um tempo curto.

Passou algum tempo... Eu nunca mais o vi apontar o dedo para alguma estrela. Seu coração esta cinza e só têm batido forte por crises de ansiedade . Sua cabeça está em chamas.

Eu não sei de seu paradeiro. Está perdido. Sinto sua falta, amigo. Não por nossa amizade, mas tenho saudades de quando você estava bem.

Quem te conheceu naquela época, certamente hoje estranha. Mas quem te conhece a mais tempo, sabe que isso é ate normal, mas até para mim que sei que isso não é anormal, sinto falta de te ver sereno.

As vezes foi tudo uma grande ilusão. Não vou falar para você tentar se reerguer e viver como naquele raro momento, pois foi tudo único. Mas alguma parte de você morreu? Alguma parte responsável por fazer você ter coragem de encarar um dia.

Não precisa me ouvir, ou fingir que isso tudo vai ajudar, mas lembre-se daquilo que você me disse.
"Aquela estrela não sabe da minha existência, mas meus olhos brilham tanto quanto ela. Um dia estarei ai em cima, enquanto isso não acontece, sigo tentado meu melhor"

Sei que isso tudo pode ser baboseira, e é... Espero que você consiga ao menos acordar  ir tomar um café sem antes querer se matar. Não, a vida continua uma merda, mas tomar café livre de pensamentos estranhos é um alivio único.

Vejo você em algum dia frio, onde estarás pisando com um pé mais leve que uma folha?

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