terça-feira, 20 de setembro de 2016

Um dia vivo no passado.




Com carinho e pesar, do passado, Junior. 

 Ele deixou uma carta dizendo que ia comprar pão e que não voltaria mais. Foi a carta mais honesta e engraçada de despedida que alguém poderia ter escrito. 

Ele que sempre diz que a vida não fazia o menor sentido, conseguiu transparecer isso um pequeno aviso: "Se o pão estiver ruim, levo o padeiro junto comigo". O que acho bastante justo. Onde já se viu o ultimo pão da vida ser ruim. Só não sei se estava ao seu gosto. 

Ele disse aos amigos que quem partisse primeiro enviaria uma carta dizendo como é não existir mais.
Por qual meio esse filho da puta me enviará essa carta?

Seu velório não foi nada fora do comum. Teve até aquelas pessoas que disseram que ele era uma pessoa feliz, maravilhosa. Não, não era. Ele apenas era mais um infeliz tentando não mascarar todo conceito "bom" de estar vivo.

Eu gostava da honestidade dele. Ele era algo genuíno. Nunca fez questão de disfarçar nada. Embora ele fosse discreto em boa parte da vida, todos sabiam do seu não comprometimento com o disfarce.
Ele não deixou nada, nenhum legado, conhecimento. Talvez ele tenha deixado um aviso que ninguém tenha percebido: Como fazer uma carta de despedida.
De qualquer modo, apenas eu tenho essa carta. Quando sinto falta dele, leio por muitas vezes seguidas e dou muita risada.
É fato que eu não acredito que uma carta chegará desse lugar que ele está! Mas as vezes checo meu e-mail, vai que...

Seria estranho se eu não tivesse contando minha própria historia?
Avise as pessoas que aqui é um lugar onde eu já estive antes. Eu apenas brinco de bola, as vezes fico de castigo, faço algum dever. Nada demais...

Ah, eu não preciso me preocupar com a manhã seguinte e minha mente vai muito bem obrigado.
Deus me livre estar vivo no futuro.
 

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