domingo, 20 de março de 2016

Nihil



O real sentido das coisas se dá quando você para de escravizar sua mente em busca de algum significado

Antes eu tinha um objetivo, era como encontrar uma cura. Uma vez encontrada, eu teria um tipo de paz eterna. Mas havia um pequeno erro: Eu não entendi como era não ter paz. Eu sempre estive bem, não havia nada que eu tivesse de controlar, não havia grandes responsabilidades.
Quando dei de cara que as coisas não eram como eu pintava, eu tive uma crise interna. Não era pra tanto, mas eu não estava preparado para entender que as coisas não necessitavam de um sentido.
Quando comecei a questionar o que era "x", "y" eu me senti ferido e traído por mim mesmo. 

Comecei a me cobrar em excesso, eu não poderia fazer outra coisa a não ser me encaixar em algum outro grupo de pensamento.
Se eu puxar pela memória não consigo ao certo lembrar quando tudo começou a sair da minha caixinha de controle. Eu apenas tenho indícios do que pode ter ocorrido. Não foi nada traumatizante, nada que tenha a ver com coisas graves. Apenas comecei a questionar

Quando comecei a pensar em demasia sobre tudo coloquei em cheque toda minha disposição e capacidade. Um novo mundo se abrira, e eu tinha algum medo, alguma fobia que a realidade me trazia. Não... a fobia era a realidade, a nova realidade.

Uma vez me peguei pensando demais e eu falei pra mim mesmo: cara, você precisa parar. Você precisa deixar isso no campo das ideias, e foi isso que eu tentei fazer.

Infelizmente nem toda tática forçada surtiu o efeito esperado. E pra onde eu vou, estou...sempre tem aquela pergunta básica: "Como eu vim parar aqui. Porque estou aqui?” É minha vontade, ou estou forçando uma situação para teimar comigo mesmo e tentar provar que eu estava sempre errado?

A verdade é que preciso pegar leve comigo mesmo. Não há tanta cobrança externa, eu já me mato pela cobrança martelando dentro de minha mente. Sufoco-me por pouco.
Quando tenho sintomas de melhora, eu já logo a desperdiço caindo no mesmo buraco de dúvidas. Ai as consequências são meio pesadas e volto pro mesmo lugar, porque eu não sei bem o que eu estou fazendo.

Não espere nada, expectativa é uma onda de droga, vai passar... E... Bom...vai passar. E no final nem será tão confortável assim.

As vezes tudo parece absurdo. Qualquer tipo de contato eu me sinto estranho, como se fosse a primeira vez que eu tivesse fazendo aquilo, sendo que eu já fiz por "n" vezes.
Eu conheço o buraco, eu sou chegado ao abismo. Eu abraço a corda. Só que até hoje eu consegui sair desse nó. Não sai ileso, claro. Ninguém sai ileso.


Eu quero agradecer a minha própria escravidão por servir de exemplo de como eu perdi tempo correndo atrás de sentido.

Não há nada em especial. Há alguns momentos onde aquele muro não existe, e quando esse paredão some tudo fica mais leve.
A paz não é algo fútil, é supervalorizada, assim como a maioria dos sentimentos bons.
Ela está ai, pode estar numa caixa de bombons, num mundo paralelo. Pode estar perto, longe... mas está em algum lugar.
Mas ela não está me esperando, ela é indiferente. Eu não a controlo e ela não pode me controlar.
Somos diferentes. Ela não depende de mim para sobreviver, e eu não devo beijar os pés dela para conseguir me manter respirando.

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