terça-feira, 29 de março de 2016

Difícil.



Não é nada fácil.

Não é simples viver, não é algo como: amanhã eu dou jeito. Esse amanhã, quando somado, torna-se uma eternidade, uma compilação de dados, de fatos, daqueles os quais eu não quero mais participar.
Não é fácil jogar tudo para o alto... quando não se tem o que jogar. Jogue para o alto algo que não exista, você vai colher como uma fé.
Não é fácil pensar, organizar milhões de pensamentos em algo útil. Lembrar todo dia a si mesmo que os segundos faz alguma diferença. Cada milésimo perdido se torna mais uma pressão a descobrimento de uma suposta luz.
Não é fácil conviver com opiniões diferentes, doentias ou ate justificáveis.
Não é fácil ter amigos e/ou ter alguém que acorde do seu lado sem que você se sinta sufocado e pressionado.
Não é fácil participar de jogos. Colecionar derrotas e não aprender nada com isso.
Não é fácil não ceder para pequenas ilusões.
Não é fácil ser você mesmo. É difícil manter certo nível de honestidade.
Não é fácil falar para algum amigo que as coisas não são mais o que eram, e que esta na hora de ir embora.
Não é fácil não sucumbir a pressões pessoais e sociais.
Não é fácil inventar mil desculpas para cancelar algo. É difícil quando dependemos da chuva para isso.
Não é fácil estar conectado o tempo todo. Dar brechas para que as pessoas possam ser invasivas.
Não é fácil estar bem em um dia de cão.
É difícil se contentar apenas com a realidade.
Não é fácil não conseguir dar orgulho aos pais.
É difícil assumir uma postura de "tanto faz”
É difícil não querer que seu ego seja massageado.
É difícil conseguir expressar todo sentimento preso como uma pneumonia.
É difícil se alimentar corretamente, fazer exercícios, beber água, não beber álcool,
Difícil não usar drogas.
Difícil não sentir saudade de alguma época que parecia mais confortável.
Difícil sentir um alivio verdadeiro. Difícil estar seguro.
Não é fácil se questionar o tempo todo.
Não é fácil não entender alguns motivos.

Difícil ver algum cão perdido na rua, difícil lidar com uma perda de algum animal querido.
Tudo, tudo é extremamente difícil. A cabeça deve pesar mais de cem quilos.
Difícil ver que provavelmente as maiorias das repetições continuarão a exercer papel principal.
É fácil reconhecer um erro, difícil consertá-lo.
Difícil escrever. Difícil compor. Difícil ter uma vida menos pesada. Difícil depender de governo. Difícil não ter opções a altura daquilo que você almejou quando não tinha rugas na cara. Difícil se enxergar como alguém interessante.

Difícil por mochila nas costas e ir embora.
Difícil se contentar em ser medíocre.
Difícil terminar esse texto sem pensar numa opção suicida.
Difícil pedir socorro entre doentes.
Difícil pedir ajuda a pessoas sadias.

É difícil se sentir confortável numa guerra onde você caça a si mesmo.
Difícil se imaginar num lugar seguro e desejar um fim.
Não existe lugar seguro. Seguro é ter um fim.

Baseado no livro "Opções Inválidas de um Jovem Doente", de Malcatricio Amante.

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