segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Blank.


Os pensamentos sobre os espaços em branco, sobre toda lacuna não preenchida, sobre o vazio ser um mecanismo de auto defesa, todos esses pensamentos sobre a realidade. 

Queria acostumar-me em "não ser tão humano", em não me sentir na obrigação de dar uma satisfação. 


Queria um tempo de liberdade verdadeira, sem sofrer coerção pela dureza da realidade, sem me sabotar a cada passo errado que eu der, sem preocupar com olhares alheios...sem me preocupar em necessitar de um abraço de alguém.


Ah...tudo que eu desejo agora é ter as chaves de algum lugar que fosse só meu, onde eu pudesse entrar e me sentir em casa, com um sofá me esperando.
Queria estar num lugar sem obrigação de estar preenchido por alguém.
Queria não me importar, não questionar.
Como obter as respostas sem se incomodar? Bem, isso não é lá muito compatível, iria até mais longe...,é impossível.


Tiro um dia de folga de toda essa coisa que precisamos, vulgo celular (ou achamos que precisamos), parece que fui aprisionado. A sensação é como se todo mundo tivesse partido, mas no fundo sobrou um ou outro pra contar história e interromper minha solidão momentânea.
Quando ligo meu celular, é como se eu tivesse abrindo um canivete...


Não há em hipótese alguma em eu desferir um golpe certeiro na tela desse equipamento viciante, muito menos de lança-lo ao fogo ou ensina-lo como se beija uma parede...eu já não posso viver sem ele. 


É ilusão eu acreditar em autossuficiência, é como crer em ser um antissocial, isso não existe, a não ser que uma pessoa tenha uma coragem absurda de viver num quadrado sem se comunicar, pensando bem...pode existir, mas eu não me enquadro nessa, estou mais para um pseudo corajoso e covarde.


Nem mesmo os raros momentos de silêncio existe para mim, é tão quieto que consigo ouvir o barulho dos pensamentos, silêncio apenas me convence quando durmo.
Durmo, logo resisto. 


Eu apenas queria ser duro como pedra. Queria durar um, dois, três meses quem sabe...somente eu e eu, mais ninguém. 

Queria não ter desejos bobos e tão passageiros.

Queria respeitar o vazio. Queria olhar pra ele e me sentir tão normal quanto acordar numa manhã qualquer de minha adolescência. Mas não há esse relação. Eu ainda me empurro contra ele, eu ainda acho que preciso furar o "escudo", mas tudo que ele quer é me salvar, mostrar os meus limites, me jogar de volta a realidade..por mais estranha que ela possa ser! Ao menos é palpável.


Sentir-se só não é o pior. Ruim é não conseguir de fato estar só.

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