quarta-feira, 4 de novembro de 2015



Já dizia o “sábio”: “Estarei aqui pra ver você afundando em suas próprias palavras. Esperando por piedade de si mesmo como uma salvação dos dias ruins”.

Ele aparentava ser uma pessoa calma, transparente. Mas em seu interior havia um buraco a ser explorado pelas dúvidas mais inúteis, mais inquietantes, como uma mudança repentina de uma música calma para acelerada e pesada.

Havia um universo quase inexplorado de raiva e lamentação, antes ofuscado pela mania de somatizar tudo (palavra de psicólogo).
 Bem... Aconteceu que as coisas foram ficando mais duras. Seu currículo foi ficando escasso, sua mente foi invadida por aliens em busca de nada. O vazio foi explorado e multiplicado por sete.

Ele não consegue desenvolver, os padrões de vida o irritam. Ele não tem apartamento num bairro afastado, dividido em até outras vidas. Ele não tem cigarro como remédio, não tem drogas como gasto. Ele tem angústia.

Ele vem sendo acordado por bizarrices que aparecem em seus sonhos, por paralisias do sono que causam demência por segundos. Ele acorda assustado e a primeira coisa é meter a mão no interruptor. Não, ele não tem medo de fantasmas, ele não tem do escuro, ele só está assustado e atentado ao fato de que ainda está vivo para acordar.

Um ímã de problemas externos o puxa para dentro. E lá dentro já está todo bagunçado. Parece uma cobiça incrível de o destino fazer isso, mas destino não existe, é apenas uma consequência intragável de seus erros tolos.

Ele estava lendo alguns textos de sua própria autoria, ele conseguiu encontrar alguma linha tênue dentro daquilo tudo. Falava-se muito de sonhos não realizados, mas muito pouco de como ir atrás. Mas talvez correr não seja a palavra ou a atitude certa, pode ser que correr seja apenas fuga, ou correr de forma errada, para do nada, para o vazio.

Ele vai dormir sem ambição nenhuma de acordar. Ele não descansa, não há do que descansar.  Embora seu corpo esteja quebrado por falta de movimento, seu psicológico entende o contrário. 

Amanhã será mais um dia desgastante para ele. Desgaste de nada. Difícil. Deve ser difícil ele olhar tomar o café, olhar no espelho, escovar os dentes e se sentir mais um perdido.

Ele está sem dinheiro, sem planejamentos, sem confiança. Ele está pobre de tudo. Pobre amigo esse o meu, pobre inimigo esse que ele criou a si próprio. Se ao menos o combatesse, ao invés de glorifica-lo como maior que tudo...

Meus amigos, alguém salve esse cara. Porque eu não sei o que fazer.


WolfY.


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