terça-feira, 27 de julho de 2010

Sobre Deus, vazio e morte...


Quando mais jovem ele acreditava que sua vida era dominada e dirigida por algo além de suas capacidades. Havia fé, confiança e medo.
Todas as noites seus avós dizendo que ele devia rezar senão o “anjinho da guarda” não o ia proteger dos males e quando ele não obedecia tinha pesadelos...
Então era quase que obrigação rezar... Não pelo motivo de não ser protegido, era uma questão de ter ou não um bom sono.
Nunca passou pela sua mente a hipótese de que nada disso existia e que era pura imaginação e medo que sua mente criava.
Algumas coisas estranhas aconteciam a ele, mas preferia manter segredo, se dissesse as pessoas elas iriam zombar dizendo que era invenção... Essas mesmas pessoas que pediam pra ele orar senão algo ruim o que aconteceria...
Não havia coerência... Era tudo uma questão de conveniência!
Então quer dizer que se ele não falasse com Deus aconteciam “tragédias”? Será que não é o medo que nos traz as coisas ruins? Não digo aquele medo bom de ter, mas aquele medo que não tem nada a ver com respeito...
Algum tempo passou e ele começou a questionar cada vez mais se via instigado a investigar tudo ao redor e se perguntar se era justo...
Então veio um vazio em seu peito! Mais uma vez um medo o descontrolava... Não era infeliz! Mas um “buraco no peito” que o fazia sentir vontade de ir a busca da verdade e querer sempre melhorar.
Então sua mente tão capaz de criar tudo o colocou em situações de risco, era perigoso, mas emocionante. Apesar dele querer descobrir tudo não deixava de viver sua infância e adolescência.
Os anos se passaram... E ele se questionou tanto que a parte de viver ele deixou de lado... Foi perdendo as coisas, alguns amigos e ótimas oportunidades de viver algo feliz.
O que eu penso:
Na maioria das vezes existe um medo ( e se Deus existisse não haveria medo e sim respeito) e a maioria das pessoas se quer possuem respeito por ele... Acham que tudo que vão fazer pode haver pecado, e isso faz com que as pessoas não sejam livres.
Quando alguém nasce a primeira coisa que ela tem é liberdade... Quando vai crescendo descobre que não é bem assim.
Bom... E enquanto a morte?
Eu não sei o que acontece quando partimos e pra falar verdade não sinto a necessidade de descobrir, como irei saber? Não duvido de nada, mas não creio em paraíso.
Viver uma vida de “santo” na terra, pra quando morrer ir para o paraíso?...Parece-me mais uma vez algo sem coerência... Assim como fazer todo tipo de maldade e ir para algum inferno.
O inferno e o céu moram bem ao lado de nós, só que somos tão cegos que não notamos...
Falar sobre morte é difícil, ainda mais quando não se vê uma de perto. Parece algo distante e que nunca vai acontecer com nós, por mais que sabemos que é uma coisa inevitável.
Se respeitássemos mais a vida de uma forma mais bela e correta nós conseguiríamos viver mais e nem pensaríamos se vamos para o céu ou inferno.
Pra quê pensar se vamos ser recompensados? Então devemos fazer o bem pra receber os presentes quando partimos?
As pessoas dizem que a vida é injusta, mas dizem isso da vida também... Justo seria o quê então?
Afinal de contas estou descobrindo que sempre há um vazio, um Deus e uma morte em mim.
O que é a morte? Não sei...
Deus existe? Pra mim não, mas não posso provar se existe ou não. Apenas não creio. Isso fará de mim uma pessoa melhor ou pior? Não!
Não tem nada a ver com caráter. É apenas uma questão de opinião.
E o vazio?...Vazio é tudo que tenho, sempre tive e vou ter... Isso faz que eu não acredite em perfeição e sempre busque melhorar.

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