domingo, 28 de maio de 2017

A verdade seja dita.

Sem muito esforço minha mente sucumbiu à vida. Sem muito esforço minha mente foi entregue de bandeja as dificuldades da vida.
As vezes sinto que racionalmente eu já estou morto, mas o lado físico, o instinto de sobrevivência me mantém acordado.

O lado bom de estar sozinho é não compartilhar desses pensamentos, dessas ideias já fomentadas há muito tempo em minha cabeça.
Você não precisa ficar se justificando ou fingindo estar apto para fazer tal tarefa. Sofrer sozinho nem sempre parece ruim.
De alguma forma ou outra é bom dizer para alguns amigos o quão desesperador a vida pode ser, mas seus amigos não irão te dar as asas deles. E isso é bom.

É necessário conforto, claro, mas não estou disposto em entrar em uma guerra contra aquilo que não precisa ser derrotado, eu apenas iria colocar um outro monstro no lugar.
E quantas vezes não me passei por ridículo por tentar provar pra mim mesmo que a ponta da faca não ia machucar meu soco, sempre machuca.
E é assim mesmo que tudo vai pra mesma porra de lugar.

E o problema não está ligado diretamente a falta de sentido da vida. O problema é pensar sobre tudo e não saber lidar com as coisas. Onde o peso é grande por si mesmo, ou eu peso mais...ou pego leve com aquilo que deveria ser visto com mais atenção. Viver não é fácil, os ônus sempre serão maiores. 
De dez chances, você irá perder, sei  lá, umas quinze, e dentro dessas chances alguma vez você vai acreditar ser possível, e naquele momento está criando uma ilusão de que irá ficar tudo bem, mas não vai.

E veja, nem estou falando de tristeza. Ser triste e miserável é da condição humana. Mas a gente precisar escolher. Ou entregamos fácil nossa luta, ou então – mesmo sabendo das merdas – lutemos para que tudo fique menos ruim o possível.

Parece-me obvio que poderia ser melhor eu estar em algum lugar, com alguém ou não, divertindo-me com alguma coisa, distraindo dos pensamentos massivos da minha cabeça. Mas eu escolho escrever sobre o que eu sinto, vejo e penso...e quando eu escrevo é como se eu vomitasse. A vida é um estomago com fome, porém podre.

É dia de folga, o tempo está claro lá fora. E eu estou sozinho em casa. Uma casa grande só pra mim, uma casa onde eu poderia andar tranquilamente. Mas minha maldita mente diz para eu sentar aqui e formar frases sem sentido.
Quando você toma consciência de como tudo é – e não necessariamente precisa contrair uma doença rara, um câncer, perder um membro e etc, simplesmente tudo faz sentido. O monstro fica claro, mas é uma caminho sem volta, pois ele jamais irá embora.

É difícil assumir esse risco, são poucas as pessoas que de fato entram nessa espécie de honestidade para consigo mesmo e para com o mundo/vida. Vejo que muita gente não está disposta a perder a sanidade. Mas sanidade pra mim é isso, é ver o quão estranho é existir. Pra mim pessoas que não sentem vontade de esmurrar paredes, monitores, cara de pessoas não são normais.  Isso tudo se trata sobre raiva, sobre estar preso num corpo, num lugar e/ou em algo que você não queria estar.

Por mais que eu diga, eu não consegui assumir a condição na qual eu estou envolvido. Uma vez que eu consiga aceitar tudo isso, acho que consigo algumas ferramentas para ir levando tudo de forma menos danosa. Não preciso gastar dardos em alvos errados, posso deixa-los guardados...ou, quem sabe, acertar no meio da cara de alguém que não seja eu mesmo.
Meus pensamentos são violência, não necessariamente violentos. Violento é se sentir impotente.

-“Mas, Wolfy, então o que fazer?”. Definitivamente, eu não faço a mínima ideia. Mas talvez seja naquela linha de tentar carregar as coisas até onde você puder...e tudo que vier é meio que um lucro, porque que sempre vai piorar. Mas, assim...eu aconselho a ninguém dar ouvidos a uma pessoa que já se entregou, então, essa parte escrita ai em cima, provavelmente está errado, muito errado.


Agora, o lado bom de tudo...é não ter que pesar a vida de ninguém por conta das minhas merdas. Então por que as vezes eu quero alguém pra carregar junto comigo o cimento? Não seria contraditório, hipócrita? Sim, seria. Na verdade...é. A sorte é que minha paciência para encontrar agulha no palheiro é, proporcionalmente, igual a minha vontade de levantar.

Existir é um problema sem solução.
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"I think the suicide rate is so high among writers because we force ourselves to stand still, take an outsider’s perspective, and realise how quickly a life passes by, and how futile we are. The exhilarating upside is that at a moment’s glance all your worries fade away, and you can work on making the most of it.”
Kevin Focke

quarta-feira, 5 de abril de 2017

O dia em que eu fui levado.

Fale para ela que eu não escolhi viver, estar vivo é uma condição aparentemente única e sem saída.
Infelizmente com a companhia dela era difícil para mim enxergar o que sempre esteve pregado em meus olhos. Talvez por estar muito perto, eu não pude ler.
Meus olhos pregavam naquele relógio do seu quarto e eu de forma inocente queria que os ponteiros pausassem. Mas que efeito isso causaria? Nenhum. E mesmo que causasse, era bobagem, uma perda de tempo desejar que o tempo congele, ainda mais que no futuro eu vim a descobrir quer estar junto dela era apenas bobagem.

Meu amigo, você é o único elo entre mim e ela. É difícil te colocar nessa estranha tarefa, mesmo que esta não parece tão árdua.
As vezes, você, meu único amigo parece ser algo invisível, onde agora eu deposito minhas pobres esperanças. É que eu estou num processo de beijar o muro da realidade.

Quando eu estava junto dela, eu me abdiquei de quase tudo que trazia conforto ao meu dia a dia.
Eu joguei quase tudo fora. O pouco que me restou me ajudou no processo de tirar a cegueira.
Talvez você não se sinta confortável em ler isto. Pode ser que me mande a merda. Está no seu direito. Até acho que merece um soco, quem sabe até perder um dente.
Estou continuando a escrever esse texto jamais enviado e mostrado a ninguém. Estou voltando a escrever depois de alguns meses.

Lembro-me de ter pego no sono e ter sonhado uma coisa aleatória, mas esse sonho me trouxe algumas reflexões banais, mas que me fizeram a chegar a simples conclusão de não ser tão duro comigo mesmo.
Sabe o tempo que passei me odiando por ter supostamente sido burro por desperdiçar tempo com ela, então, esse tempo foi maior que a própria ilusão criada através de irrelevantes sentimentos.
Esse tempo todo eu criei dentro da minha cabeça um jeito de esquece-la...ou de então lembrar das vezes em que eu me sentia culpado por estar bem. Sim, me sentindo culpado por estar bem.
Eu supervalorizei e subestimei tudo ao mesmo tempo.

Meu amigo, você não está mais aqui, ela também não.
Não vou pedir tempo algum de volta, o que foi vivido está apenas salvo como uma memória, deve ser tratado tal como.

Eu acho que estou bem. Creio que agora percebo que não foi perda de tempo. Foi vivido, do jeito que deu, é claro. E nessa história toda não fui somente eu que estive ausente de tudo.
Eu me culpei depois, também, para talvez encontrar uma solução. Isso foi totalmente ineficiente, uma vez que não foi somente eu o cara que "sumiu".

Não vou dizer mais nada a ninguém dessas coisas que se perderam entre as ondas do tempo.
Aqui, de onde estou, parece alto. Não sei se é o suficiente para me causar tonturas ao olhar para baixo, deixa-me ver...
Pronto, foi o tempo de eu tentar voar, foi rápido, nem senti direito o vento tocar meu rosto.

Que bobagem!! Todo mundo sabe que estou apenas deitado escrevendo sobre uma coisa que nunca existiu, eu nunca estive vivo.
Se isso aqui virar uma carta, invente um destino, a envie, se alguém tiver o azar de ler, saiba que quem escreveu não é uma pessoa de verdade, é apenas uma ideia.

Aqui não existe mãos, pensamentos, sentido. É tudo vazio, um grande e delicioso vazio.